Chegamos ao assunto preferido entre os intercambistas. O ponto auge de morar no exterior e, talvez, o que define o sentido do próprio intercâmbio: explorar novos lugares, conhecer outras culturas, experimentar nova culinária, aguçar o ouvido para outros idiomas, pisar em lugares até então só vistos em filmes ou em páginas de livros e se tornar um observador do mundo. É aí que mora o perigo. O tal do bichinho viajante morde até os menos aventureiros e a gente vicia em pesquisar passagens aéreas e a idolatrar as páginas de um passaporte carimbado.

A partir desse ponto é que a mágica acontece, sonhos se realizam, coleções de cartões postais e imãs de geladeira ganham força e espaço enquanto a felicidade vai sendo preenchida ao ver o checklist de países aumentar pouco a pouco. Isso sem falar quando você vira referência para dar dicas de viagem. É plenitude que fala, né?A partir desse ponto é que a mágica acontece, sonhos se realizam, coleções de cartões postais e imãs de geladeira ganham força e espaço enquanto a felicidade vai sendo preenchida ao ver o checklist de países aumentar pouco a pouco. Isso sem falar quando você vira referência para dar dicas de viagem. É plenitude que fala, né?

Não sei a condição financeira de vocês, mas conhecer o mundo só se tornou palpável para mim depois de encarar o intercâmbio. Viajar para o exterior era uma realidade bem distante. Tanto que a minha primeira viagem internacional já foi de malas prontas para fixar moradia, como vocês já sabem, aqui em Dublin. E é tão gratificante perceber que o suado dinheiro de um trabalho informal te banca naquela sonhada trip e te faz um verdadeiro contador de histórias.

Para os que não sabem, aqui na Europa existe a benção das companhias de low cost (baixo custo), onde é possível comprar passagem aérea por vinte euros em preço normal e, algumas vezes, as tarifas promocionais podem custar dez euros ou até menos. Imagina você conhecer Paris, Londres ou Roma por trinta euros ida e volta. Foi o que eu fiz. Na primeira oportunidade, me aventurei em territórios franceses marcando o meu ponto de partida fora da Irlanda. É a tal da viagem dentro da viagem. E se eu parar para reviver esses dias, consigo acessar as emoções que me tomaram conta ao me deparar com a potência simbólica da Torre Eiffel pela primeira vez. Eu parecia uma criança recebendo o doce favorito. Lembro também da sensação de ter respondido plenamente um “bonjour” pela primeira vez a um estranho na rua, o que me gerou crises internas de riso solto.

Paris foi uma aventura, em alguns aspectos. Viajei sozinha por apenas três dias, com um inglês até comunicável, mas de que quase nada me serviu pois eu estava justamente no país onde as pessoas odeiam falar inglês. Não tinha internet no celular, então antes de sair do hostel eu precisava checar tudo nos mínimos detalhes como chegar a tal lugar. Obviamente me perdi algumas vezes. Minto, várias. Quando achava um Mc Donald ficava do lado de fora para captar o sinal wifi para poder me localizar de novo. Essa viagem me marcou como uma das melhores aventuras rumo ao desconhecido considerando uma primeira viagem sozinha na Europa em uma capital nas proporções de Paris.

A partir de então foram 19 países, 42 cidades e muita história para recordar. Tudo isso em menos de três anos. A propósito, se você está se perguntando o porquê de quase o dobro de cidades em relação aos países, a resposta é: tive o privilégio de rodar a Itália inteira de carro passando por 15 cidades (experiência que escrevi no meu blog, confere aqui.

Por essas e outras que algumas pessoas protelam tanto a volta, alguns realmente não retornam mais. E pra mim ficou muito claro desde o bonjour em Paris: um mundo de possibilidades se abre no nosso horizonte ao sair da zona de conforto, e voltar ao que era é missão quase impossível.